METARMOFOSE

 

 

Meu corpo

Neste líquido a dissolver

Cristais de mesmas lágrimas

Rompe-me o peito ensedoso

Onde as aranhas crépidas

Dançam o pânico metarmofósico

E mostram-me o seio vivo

Pulsar numa artéria oca

Experimentando-me o deslize da alma.

Enfureço-me na cápsula dos meus osssos

Com todos pecados da Humanidade

Que outrora transforma a natureza

Do perder

E do criar

Em linhas paralelas:

Mate-mati-c-a-mente filosófica (s)

Ruindo assim meu espírito manso

Adormecido

E sepultado no âmago do seu ser!

 

 

 

Élsio Américo Soares

 

 

 

FILHOS  DO  CARBONO

 

 

Desnudos apalpamos a espeçie

Na insemelhança férrea da arte;

Detritos nos sucumbe a esfígie

Relatada no cosmo de Marte.

 

Somos civilização de arqueiros

Remoídos da fusão do aço;

Espreitos no não dos cargueiros

Revoamos a fúnebre do espaço.

 

Gases desintegram-se enfáticos

E um réu conclama-se no trono,

Num choro líspido e fanático:

“Malditos filhos do carbono”...

 

 

Élsio Américo Soares

 

 

ÊXTASE

 

 

Sou um viajante perdido

num espaço contínuo!

Sou um segredo de um louco

e a sombra de um filho!

Sou um ser estupro vigado do orgasmo

e um sensato inconsolado!

Sou o segredo da vida

e o enredo da morte!

Sou o êxtase do crepúsculo

e uma besta mística!

Sou um anjo à galope

e, ou um Deus inquieto!

Sou um menino afável:

Sou você...

Não sou ninguém!

 

 

 

Élsio Américo Soares

 

 

EU

 

a Augusto dos Anjos

 

 

Casto estou a refletir-me a chaga

Na psique mórbida d’ossos esquálidos.

Vejo vestimentos da carne corroídos

Espalhar-se em cinzas por toda plaga!

 

Sou viajeiro co’a mortalha que carrego...

No cérebro impune à droga e à traça,

Vegeta o plasma que em coma se embaraça

Sepultando a minha alma do seu ego!

 

Transcorro na miséria do inquilino

Que o pus do escarro fedentino bebe

E palita a gengiva com próprio sangue!

 

Sou eu, um vulto solitário e menino

Refletido num poço que hei de beber

Toda a lama que existe neste mangue!

 

 

 

Élsio Américo Soares

 

 

 

CREIO

 

 

 

Inexplicavelmente não entendo a distância

Contenho em labutar o pensamento até sentí-lo

desalojado dentro de mim mesmo;

creio esporadicamente na imaginação

como fortalecimento condensador da minha alma

como no catalizador do meu gesto, que embora

medíocre a fantasias se predetermina na confirmação

lógica do extra-sensorial

Creio no real sentir e an saudade confinada

Creio nas paixões apropriadas às razões

Creio na razão única

Creio em uma única só paixão!

Inexplicavelmente!

 

 

Élsio Américo Soares

 

 

 

 

CANSAÇO

 

 

A asa do silêncio

sangra-me o lábio

e o pé descalço de pássaro...

 

Revôo

no céu aberto da boca

grunhindo

a dor de estrela perdida...

 

E a pena

lambiscada de tinta

revela-me o suspiro,

arquejo nos passos

 

s  o  l  i  t  á  r  i  o  s

 

vís palavras...

e soluço calmo a IDADE!

 

 

Élsio Américo Soares

 

 

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