DESAMPARO

 

 

Manhãs desérticas, tardes féticas

que emprobecidas navegam no abismo

daquela menina que se entrega à cola.

E a cidade quase toda nua

espera a noite se perder na vida;

e pelas ruas a vadiar, as folhas

secam na frieza daquela pessoa

envolta em um hálito fúnevre,

se perdendo como sobra:

Sem comer...

Sem beber...

Sem sequer ser amparada na terra

que apenas há de comê-la.

 

 

Élsio Américo Soares

 

 

CONTRA – CENA

 

 

Vocês mulheres

Delineadas pelo reflexo da penumbra

Que vivem elegantes

À espera dos seus homens

Sejam capazes de amar as traças

E cuspir o sêmen

Nas bocas adormecidas

De um instante

Até fecundar

Uma nova raça literária...

 

Vocês mulheres

Não são nunca senão loucas

Raparigas devassas

Perfumadas de espermas...

 

Ah! Vocês que esperneiam

No silêncio dos abajures

E murmuram na quietitude noturna...

 

Vocês mulheres

São os palcos de uma rebelião feminina

D’onde os atores pisam em cena

E contracenam

“A divina comédia humana”

Até que vocês mulheres

Sintam seus corpos

Divinos

Gozados...

 

 

Élsio Américo Soares

CEGUEIRA  AZUL

 

 

Como é difícil

ficar cego,

procurar nos olhos

o brilho do abismo

e fazê-lo crescer

além do penhasco do ser...

 

Como é difícil

ficar cego,

perdido entre dumas

desérticas,

ouvindo os uivos

no anoitecer

de um pássaro-preto,

que v

o

a   e   revoa

além dos meus olhos

tão azuis e sem cor!!...

 

Élsio Américo Soares

 

 

BRISAS

 

 

Frias almas

Que o vento enlaça –

D’onde vais enfim?

Tomar do orvalho a noite de lua?

Ou vens a mim,

Trazer o léu doutra alma pura?

D’onde vais brisas calmas?

Se a noite é minha

E tu perdida no frio és cálida!

D’onde vais aí dentro de mim?

 

 

Élsio Américo Soares

[ ver mensagens anteriores ]



Meu Perfil
BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, ASA SUL, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Informática e Internet
Yahoo Messenger -



  <bgsound src="http://mediateca.do.sapo.pt/0014700.mid"> </html>