SOLIDÕES

 

Fito uma estrela

a fazer acrobacias...

Sinto meus cabelos

Acariciarem o teto azul

e minha mão

tão insolente

a ofuscar um belo arco-íris...

 

Imagino uma brisa a me tocar

com suas canções

e sons do luar...

Perco-me na volúpia virgem

de sonhar...

 

E sonho:

 

Com sóis

aquecendo-me as noites tão frias

neste cárcere;

onde adormeço minhas solidões

 

Solidões de erros...

Solidões de desprezos...

Solidões de presos...

 

Fito uma estrela

a fazer acrobacias

 

num canto

sonhado

desta cela...

 

 

Élsio Américo Soares

 

SILÊNCIO  NOTURNO

 

 

Estarei a meia noite pedindo perdão

ao menino ou à menina

que pela extensão do dia

mendigou na porta da minha boca,

co’o saco de cola às costas

esfaqueou minha alma,

rasgou-me a tez da dignidade Humana;

e disse-me que er um Homem ou uma Mulher

À procura da estrada...

da estrada pardacenta onde adormece o Anima,

e o lodo alimenta a embriaguês

de mil poetas que se enganam

com a primeira rosa nascida...

E a criança perdida??

-Tente poetizar este crime,

perfumar a cola,

tirar da noite dos silêncio

única resposta ao meu perdão!!!!

 

Élsio Américo Soares

 

 

 

 

 

ROSAS  BRANCAS

 

 

Agora,

No jazigo onde dorme

O mármore fúnebre do outono

Empalidece-me o olhar esquálido

E o tinir dos sinos murmura lânguido,

Ouço-o dos labirintos inatingíveis do eterno;

E cabisbaixo

Choro as verdes lágrimas da esperança,

Gota por gota

Jorra ao chão da liberdade...

 

Agora,

Também por todas outras lápides

Descansam tantos outros bravos

(Povos de toda Humanidade)...

Que criaram filosofias

E nelas vivem hoje a Eternidade!

 

Agora,

Vive no descanso pleno,

Pois da semente deixada

Faremos dela rosas

E as chamaremos:

(Rosas Brancas)!!...

 

In Memorian

Tancredo Neves

 

Élsio Américo Soares

 

 

 

ROSA   CÁLIDA

 

 

Dirás ao túmulo

Que teu segredo é imenso,

Que teu aroma emana da alma

E aos confins do corpo silencia calma.

Despertas do silêncio

Que de longe falas

E digas a minha voz que se cala:

Que Eu todo significo um espaço,

Sem limites e sem traços...

 

Assim como a ti

Que agora exala...

 

Amanhã num túmulo se desfala...

 

Élsio Américo Soares

 

 

 

ROSA   CÁLIDA

 

 

Dirás ao túmulo

Que teu segredo é imenso,

Que teu aroma emana da alma

E aos confins do corpo silencia calma.

Despertas do silêncio

Que de longe falas

E digas a minha voz que se cala:

Que Eu todo significo um espaço,

Sem limites e sem traços...

 

Assim como a ti

Que agora exala...

 

Amanhã num túmulo se desfala...

 

Élsio Américo Soares

 

 

ROSA – ATÔMICA

 

 

Colha a rosa

Crucifique-a e amortalhe

Na solidão do meu jardim.

Despetale-a:

Bem-por-bem,

Mal-por-mal...

E faça-a num perfume de jasmim.

Não a deixe

Sem o orvalho

Nem a brisa,

Ou sem o beijo fiel das borboletas.

Não!...

Não serão as violetas nem as camélias,

Que sugarão os meus nectares

E farão da minha embriaguês um poeta!

Nem a lua

Que se esconde no vão dos espinhos

E às vezes parecer rosa –

... Nem ela!

Colha a Rosa-Política

... Dos nazistas

ou a Rosa-Romântica

... Dos poetas

 

- Mas não esqueça da Rosa-Atômica

... De Hiroshima.

 

 

Élsio Américo Soares

 

RETICÊNCIAS...

 

Se fores além da vida

Por uma estrada-poeira,

Te aninhas na cachoeira

Te espumas no vago da ida

Adentras fundo...

E descansas no mundo,

No paraíso...

Na tua sombra de menino!...

 

 

Élsio Américo Soares

 

PRÉ–EXISTÊNCIA  DO  GRITO

 

 

Na sangria do pensamento

As palavras quaram no silêncio...

A solidão goteja da chuva

Aos porões dos sentimentos...

O sorriso empalidece

Nas folhas umedecidas...

O varal nu acaricia

As gotas orvalhadas...

O solo embriaga-se

Com o gélido sabor do cio...

Os homens diante à lareira

Friccionam a chama

(a tez dos amantes que copulam)...

-O feto presencia a lama pardacenta

Jorrar-lhe a existência...

 

O varal seca...

As folhas metabolizam-se em rosas...

O sol desponta-se nas janelas...

Os gritos escorrem-se no prelúdio do eco...

A solidão sai das entranhas...

E CRESCE...

 

 

Élsio Américo Soares

 

 

PRAÇA  DO  FLAGELO

 

 

Outrora remanejaste as noites

No rebolejo multicolor da fonte

Pudera hoje o passado ser ponte

De tua flor desfalida em riste.

 

Pudera expor não o árduo tempo

Que ao vento cru te valera corte

E os anos infiéis te tiraram os dotes

De jardim florido, de porta de templo!

 

Pudera ser Serra... nunca seres praça...

Incontigente numa cidade bela,

Que por arte não morre de desgraça

 

E por fome não se sorri em duelo...

Pudera o rio... quem sabe o monte?

Ostentar o mísero sabor do flagelo!

 

 

Élsio Américo Soares

 

 

 

 

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