NOS TRIGAIS
“Na vida de um artista a morte talvez não seja a coisa mais díficil”.
contorcendo na dor impiedosa
arrancada no íntimo,
sentida no ranger do grito
ao encontro melancólico do eco.
Na pele sangrada
Vês o túmulo constituir morada;
E vês que vem ao entardecer da áurea:
Os corvos (em plano sinistro)
E ao fim dos trigais,
(“A miséria não...”)
Suplicava
A última alma.
Élsio Américo Soares
NINHO DOS SOLITÁRIOS
v o a
rente teu leito,
no espaço vago do penha
s
c
o
(Arde frio a dor do pouso...)
foge da solidão,
onde minhas asas
amassadas ora afagam!!...
Élsio Américo Soares
MULHER – MENINA
No interior do teu seio
E faça-me jorrar-te pelas entranhas
A escaldante lava
Abri-me tua flama
Que entorpece-me em delírios
Esvoaçantes
Mostra-me o ruir
Do sentimento
Para demolí-lo rasamente
Expluda em jatos
Sua crota negra aos meus primeiros espasmos
Depois –
Morra na febre virgem
De menina –
De mulher!
Élsio Américo Soares
MISTÉRIO
Nesta rua dessecou-se uma alma...
Atou-se no zíper do corpo,
Zarpou-se no profundo mar de plasma
E trilhou secreta com a noite flácida!
Ardeu-me a víscera do inconsciente
Pela lâmina
S
trata
Cravada no seio de um mortal adúltero!
Ardeu-me a alçada .
.
.
Sustento dos passos êfemeros.
Ardeu-me o aço das portas
Ra
N
gindo...
lúcida para entender o rancor do mistério!
Élsio Américo Soares
MIOPIA
atravessam no varal das pálpebras...
vejo dos sílios
minhas lentes estilhaçadas
e o sangue escorrer-me a narian.
Vejo a solidão
dos ócu..los
abraçar-me os ouvidos;
canso de olhar o léu
e vê estrelas incolores
fu... gin... do...
Como círculos míopes
que atravessam as sombras
marginais de minha poesia...
MINHAS IRMÃS
Num sonho:
Uma alameda,
Um folheto
E um orvalho
A choramingar nas letras...
™
Passado
O tempo das ruas
Meninas
Fotos nuas
De duas mentes
Rebrilham
Na valsa dos vagalumes
E as luas
Minguantes e cheias
Trilham vazias
Como as meninas
(Irmãs minhas!)
Tão perdidas
Tão bem achadas!
Élsio Américo Soares
LABIRINTOS
Palavras mudas
(Zumbidos)!!...
Gotas repicando na poça de sangue,
Gritos ardidos que vão se entregando
no escuro léu da alma humana.
e
m
e
s
t
e labirinto quadrangular?
Que ao menos livre veleje em cores,
Os sabores desses corredores:
E mudos!
Élsio Américo Soares
INSÔNIA
Esmaga-se ao passo felino,
Calmo tal luar febril das chamas.
Esvoaça pela noite garrida
Das nuas vidas da insônia,
D’onde o mel ultraja a ferida
No vértice dos ventos
E no suor esquálido das chuvas.
Suga o amanhecer da minha morte bendita
E faze de mim um cinzeiro mortal
De tuas cinzas,
Que ao calar o refúgio
Se faz fechar o bocejo irônico da vida.
Dorme e sonha junto às ninfas,
Ó cigarro curador de minha insônia!
Mata-me ao desejo
Nesta cama de esfumaço...
Mata-me, ó insônia,
Até que eu mereça dormir
Na sombra vil do cansaço!...
Élsio Américo Soares
IMAGINÁRIO FIM
Meu sangue coagula...
Vou me perdendo na imensidão do além...
Uma voz vem beijar-me os tímpanos
E o escuro é a tez do último momento...
Há ainda uma estrela
perdida no meu medo...
Há ainda uma carícia,
derradeira saudade de quem diz amém...
Há em mim o fervor
para abrilhantar a partida
neste imaginário...
Imaginário fim...
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