NOS TRIGAIS

 

“Na vida de um artista a morte talvez não seja a coisa mais díficil”.

Van Gogh

 

No refúgio das lágrimas

contorcendo na dor impiedosa

arrancada no íntimo,

sentida no ranger do grito

ao encontro melancólico do eco.

Na pele sangrada

Vês o túmulo constituir morada;

E vês que vem ao entardecer da áurea:

Os corvos (em plano sinistro)

E ao fim dos trigais,

(“A miséria não...”)

Suplicava

A última alma.

 

 

Élsio Américo Soares

 

 

NINHO  DOS  SOLITÁRIOS

 

 

Minha alma

v  o  a

rente teu leito,

no espaço vago do penha

 s

 c

 o

(Arde frio a dor do pouso...)

Eis que teu corpo também pássaro

foge da solidão,

onde minhas asas

amassadas ora afagam!!...

 

 

Élsio Américo Soares

 

 

MULHER – MENINA

 

 

Vulcaniza-me

No interior do teu seio

E faça-me jorrar-te pelas entranhas

A escaldante lava

Abri-me tua flama

Que entorpece-me em delírios

Esvoaçantes

Mostra-me o ruir

Do sentimento

Para demolí-lo rasamente

Expluda em jatos

Sua crota negra aos meus primeiros espasmos

Depois –

Morra na febre virgem

De menina –

De mulher!

 

 

Élsio Américo Soares

 

 

MISTÉRIO

 

 

Nesta rua dessecou-se uma alma...

Atou-se no zíper do corpo,

Zarpou-se no profundo mar de plasma

E trilhou secreta com a noite flácida!

Ardeu-me a víscera do inconsciente

Pela lâmina

Ab

S

trata

Cravada no seio de um mortal adúltero!

Ardeu-me a alçada .

 .

   .

Sustento dos passos êfemeros.

Ardeu-me o aço das portas

Ra

N

gindo...

Esta rua dessecou-se a alma

lúcida para entender o rancor do mistério!

 

 

Élsio Américo Soares

MIOPIA

 

 

Círculos míopes

atravessam no varal das pálpebras...

vejo dos sílios

minhas lentes estilhaçadas

e o sangue escorrer-me a narian.

Vejo a solidão

dos ócu..los

abraçar-me os ouvidos;

canso de olhar o léu

e vê estrelas incolores

fu... gin... do...

 

Como círculos míopes

que atravessam as sombras

marginais de minha poesia...

 

 

Élsio Américo Soares

 

MINHAS  IRMÃS

 

 

Revejo

Num sonho:

Uma alameda,

Um folheto

E um orvalho

A choramingar nas letras...

Passado

O tempo das ruas

 

Meninas

 

Fotos nuas

De duas mentes

Rebrilham

Na valsa dos vagalumes

 

E as luas

Minguantes e cheias

Trilham vazias

Como as meninas

 

(Irmãs minhas!)

 

Tão perdidas

Tão bem achadas!

 

Élsio Américo Soares

 

 

 

LABIRINTOS

 

 

Cores pardas

Palavras mudas

 

(Zumbidos)!!...

 

Gotas repicando na poça de sangue,

Gritos ardidos que vão se entregando

no escuro léu da alma humana.

 

Que música t

 e

 m

e

s

t

e   labirinto quadrangular?

 

Que significa esse ameno sol?

 

Não espelha-me adentor nem um só fio

De lágrima!

Que ao menos livre veleje em cores,

Os sabores desses corredores:

Pardos

E mudos!

 

Élsio Américo Soares

 

 

 

INSÔNIA

 

 

Cinzas dormidas no patamar noturno das brisas

Esmaga-se ao passo felino,

Calmo tal luar febril das chamas.

Esvoaça pela noite garrida

Das nuas vidas da insônia,

D’onde o mel ultraja a ferida

No vértice dos ventos

E no suor esquálido das chuvas.

Suga o amanhecer da minha morte bendita

E faze de mim um cinzeiro mortal

De tuas cinzas,

Que ao calar o refúgio

Se faz fechar o bocejo irônico da vida.

Dorme e sonha junto às ninfas,

Ó cigarro curador de minha insônia!

Mata-me ao desejo

Nesta cama de esfumaço...

Mata-me, ó insônia,

Até que eu mereça dormir

Na sombra vil do cansaço!...

 

 

Élsio Américo Soares

 

 

IMAGINÁRIO   FIM

 

 

Meu sangue coagula...

Vou me perdendo na imensidão do além...

Uma voz vem beijar-me os tímpanos

E o escuro é a tez do último momento...

Há ainda uma estrela

perdida no meu medo...

Há ainda uma carícia,

derradeira saudade de quem diz amém...

Há em mim o fervor

para abrilhantar a partida

neste imaginário...

Imaginário fim...

 

Élsio Américo Soares

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