GARÇAS NEGRAS
Voar no céu e no mar
Aprender
O segredo das asas
E partir...
Ah... Garças negras são raras
São gaivotas
Araras
Solitários meninos
Quer amar
Amar um outro e um olhar
Viver
Os segredos da vida
E morrer...
Ah.. Garças negras são raras
São gaivotas
Araras
Solitárias meninas
Quer partir...
Partir as asas dos Homens...
Dos Homens negros da África
Quer morrer...
Morrer a vida dos Pássaros...
Dos Pássaros negros da África
Ah... Garças negras são raras
São gaivotas
Araras
São as únicas que cantam
Nas trincheiras da África
FIM
Como plano de quem primeiro vive
É-me a poesia que eu poeta criei
É-me o espelho que se veste da essência
É-me a transparência do belo
É-me o feio que ainda condigno
É-me o fim que há...
E já sei...
Ainda falarei da morte
Como quem um dia a viveu
Falarei sim
No eterno
No eterno FIM.
Élsio Américo Soares
FABIANA
Onde eu agourado me trucidava...
Teus passos revoados de neblina
Respingaram-me na minha ferida.
E...
D’onde o bálsamo por onde passavas
Inebriava-me...
E a mente do meu animal
Se ocupar com a vida...
Ah bela!...
Élsio Américo Soares
ESSÊNCIA
As pessoas se multiplicam...
As rosas exalam e... eu expludo!!!
Eucalipto é o seu gosto,
Mordaz o seu contato!
Saiba ir me buscar
Além de tudo fique atroz...
Voraz o seu olhar martirizando-me
Envolvente no afeto de pele.
Vem, mas volte atrás para buscar-me
Sou de alguém, mas ao qual não pertenço.
Busco algo, mas não o quero.
Sofre de alguma forma, mas sou feliz
Com você?
Não sou o gosto e...
Nem sei o que é gostar.
Negligenciar?
Talvez uma pura e medíocre ilusão!
Seja lá o que for,
Não sentirei a essência que me impele...
Impele a sofrer? –
Eu não sofrerei e nem preciso...
Faz-me bem até o momento
Em que você disser o enorme chavão:
- Eu te amo!
Daí pra frente já não serei o mesmo...
Fugirei sim, e como não posso ir com você,
Irei com a imaginação
Que por sua vez
Fertiliza o caos do meu viver.
... Tudo feito com pedaços de corações,
razões e mais
Uma sombra de ciúme e saudade...
DESTINO
És guardião de mim,
Teu perfume transpira trépido
És enfim todo tédio,
Toda rosa no seu fim.
Ah! Como se eu não o tivesse!
E só me bsatasse o lume
Para ser guardião de ti!
Élsio Américo Soares
BERÇO VAZIO
hoje tem mágoa
de menino vadio,
que v
a
g
a no tempo
do esquecimento
e do sofrimento;
sem cama
c a de lenço,
sem mãe ao alento
e sem pensamento...
Se deita no peito,
seu leito estreito,
seu berço
v
a
z
i o...
Élsio Américo Soares
AR PÓ A DOR
Arpoador tem um bar,
tem uma menina,
tem ondas que vão...
E mansas vêm beijar a pele do Rio!!!
Arpoador tem dois nomes de Gangs
entrelaçadas no pó da praia
dividindo a sensualidade da maré!!!
Arpoador tem uma Maratona
de duas sociedades do Medo
que vão e vêm pela orla
como dois predadores irracionais!!!
Arpoador tem duas milhas de sal,
alimento apenas de dois répteis
que no ano Três Mil rastejam ofegantes
pela porta do bar... Arpoador tem:
Élsio Américo Soares
ANTI – CONCEPÇÃO
Tente poetizar teu crime
de ter me beijado a boca
ter sido tão amiga da minha alma
e me ter feito pecar todo o corpo...
Tente conscientizar o passado,
que me verá nu
feito ainda menino
aprendendo de ti
o que para mim é futuro...
Tente ser,
que será uma poesia criminosa
(uma assassina tão misteriosa),
e fará de mim um réu condenado...
Tente primeiro poetizar teu crime,
ao seduzir-me no pecado mortal dos poetas...
Tente
daqui a cem mil anos
ou nesse instante,
ser minha fantasia eterna,
ser a virgem minha amada
ou ser: poesia do nada!
Élsio Américo Soares
AMPULHETA
A víscera reta atrofia
E aspira conjuntos obtidos
Na pedra fóssil
(Cristalina)
E nos fluidos mórbidos
Há a seqüência d’outro mundo,
Onde explícitos aos corpos cilíndricos
Uma alma desgarra-se
Refletinod o silêncio do espaço
Na síndrome...
Na síndrome que o tempo silencia!
Élsio Américo Soares
A PONTE SOBRE O RIO
Cravejado sobre o deslize
de um espelho ávido...
dividiram-me o corpo flácido,
determinaram-me
com uma bomba
explosiva
que sacolejou minhas mais fortes emoções;
primordialmente a de existir...
Fui a ponte sobre o rio...
E Doce-Rio!!...
Élsio Américo Soares
ABSTINÊNCIA
Em um tão voluptuoso corpo,
Que deflagrado entre arestas
Chacina a essência
E galga fúteis emoções
Ao querer o paladar felino
Do meu mais mordaz ciúme;
Ora teu próprio assombro
Justificando tão envolvente o afeto
Dizendo-me:
- Sou de ti, mas não o pertenço!
(o alarido ressuscitado do remorso
Ainda jaz inocente!...)
E ao querer o passado
Volve ao contato mais íntimo
Se perdendo entre as dumas,
D’onde desérticas flores brotam
Da explosão do meu mais simples aceno...
Eu, poeta, sugo a abstinência poética
Que outrora martiriza-me
Na essência do viver...
Para nunca a alguém jamais morrer!!!
Élsio Américo Soares
CIGANA
E a treva.
Minha sorte:
Viver... viver,
E forte achar a parte
Que abre ao ser:
Minha sorte, cigana!
É que ela não engana:
Nem a mim.. .nem a ti...
Na minha sorte...
Na minha vida que também é cigana!
Élsio Américo Soares
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